O Chile é o sétimo maior produtor mundial de vinhos, depois da Itália, França, Espanha, Estados Unidos, Austrália e China, segundo dados de 2016 do site BK Wine Magazine. Entretanto, se tratando de um país com uma população de apenas 18 milhões de habitantes, seu consumo é menor que o dos concorrentes, e o Chile exporta boa parte dessa produção, ele é o quarto maior exportador mundial.

Como um país tão pequeno (cabem 11 “Chiles” dentro do Brasil), distante dos grandes mercados norte-americano, europeu e asiático, conseguiu tamanha façanha? A resposta está numa combinação de condições naturais, visão empresarial e sucessivos governos que apostaram no livre comércio e na iniciativa privada.

Geograficamente Excelente

França, Itália e Espanha, os países com maior tradição na produção de vinhos, têm sofrido ao longo da história com invasões de pragas que dizimaram seus vinhedos e chegaram a causar a extinção de cepas como a Carménère – por sinal, reencontrada no Chile e transformada em sua marca distintiva, numa das muitas histórias poéticas em torno do vinho chileno.

Os vinhedos chilenos são protegidos de ameaças por três barreiras naturais: a Cordilheira dos Andes, o Oceano Pacífico e as geleiras da Patagônia. É por isso que no aeroporto de Santiago e nas fronteiras chilenas há uma obsessão ainda maior do que em outros países para prevenir a entrada de produtos agrícolas, que possam trazer microorganismos exóticos a esse valioso ecossistema.

Essas barreiras naturais do Chile impedem a passagem de nuvens que trazem chuvas, mantendo o ambiente árido naturalmente. À medida que vai descendo para o sul, a Cordilheira diminui a altitude e se torna uma belíssima barreira contra ventos excessivos e, consequentemente, previne a existência de doenças e pragas nos vinhedos.

Vinhedo Chile

Esse benefício geográfico influência também sobre a extraordinária variedade de uvas que se adaptam às muitas condições de vales e de climas do Chile, só a Concha y Toro cultivam 11 uvas diferentes no país.

Os vinhos brancos estão associados à costa, porque a luz do sol passa pela bruma do mar, chamada de “camanchaca”, e se dissipa, em vez de incidir diretamente sobre as uvas. As noites muito frias e os dias quentes fazem com que a uva amadureça mais lentamente. Sob a influência da brisa do mar, no centro do país, assim como do Rio Limari, no norte, os vinhos brancos chilenos se tornam muito frescos, aromáticos e minerais.

Já os vinhos tintos se beneficiam da proximidade à cordilheira e do terreno pedregoso. Nessas áreas, a temperatura vai dos 38 graus centígrados com o sol aos 8 ºC durante a noite. A raiz das plantas se estica até as pedras mornas e com esse contato produz mais taninos – a alma do vinho, responsável pela sensação de acidez na boca e pelos benefícios antioxidantes para o coração.

Incentivos Fiscais

A política de baixos impostos aplicada pelo Chile aos vinhos, inclusive na àrea da produção, faz com que o país consiga produzir um volume de rótulos tão considerável que possa ser exportado.

Por isso, o governo ajuda com baixos impostos, o que faz com que cheguem ao nosso país com preços realmente atraentes, além de o frete não ter um valor tão impactante quanto o dos produtos europeus ou da Oceania.

É preciso mencionar, também, o fato de, por integrar o Mercosul, o país não sofrer incidência do imposto de importação sobre seus produtos quando exportados para o Brasil, o que acaba favorecendo muito o comércio de vinhos excelentes com bom custo-benefício no mercado brasileiro.

A Emblemática Carménère

Com a devastação dos vinhedos da França pela filoxera, algumas variedades foram consideradas extintas naquele país – a Carménère foi uma delas. Porém, ela foi levada ao Chile como Merlot e por muitos anos foi confundida.

Em 1994, o ampelógrafo Jean Michel Boursiquot fez uma pesquisa genética, comparando os DNAs das variedades e identificou que algumas vinhas conhecidas como de Merlot, eram, de fato, a Carménère. Então, foi em solo chileno que a Carménère foi “ressuscitada”.

Carménère

Comentários (4)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *